20 de jun de 2013

Resenha: O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hosseini


O Silêncio das Montanhas - Khaled Hosseini

Título original: And the Mountains Echoed
Editora: Globo Livros | Páginas: 348
Ano de lançamento: 2013
ISBN: 978-85-250-5408
Abdullah vive em condições precárias na aldeia Shadbagh, no Afeganistão. Sua mãe faleceu ao dar à luz sua irmã Pari, quando ele tinha 7 anos. Depois disso, seu pai Saboor se casou com Parwana. Saboor teve dois filhos com a nova esposa, Omar e Iqbal. O primeiro morreu durante um rigoroso inverno e, desde então, Saboor se culpa por não ter tido condições suficientes para que o filho sobrevivesse ao frio. Agora Parwana está grávida de novo, e surge uma oportunidade de Saboor ganhar dinheiro para evitar uma nova morte na família.

Nabi, irmão de Parwana, trabalha para os Whadati, casal rico que vive na cidade de Cabul. Nabi leva Nila para conhecer a família de sua irmã Parwana, e a moça se encanta por Pari. Nila vive um tanto angustiada por não poder ter filhos, e sente um certo vazio em sua vida. Nabi então tem uma ideia que trará angústia e tristeza para Abdullah. Sua irmã Pari acaba sendo vendida ao casal para que o pai possa ajudar à sua família necessitada.

Depois de quase 5 anos desde o lançamento de seu último livro, A Cidade do Sol (que é um dos meus livros favoritos), Khaled Hosseini volta às lista de livros mais vendidos com O Silêncio das Montanhas. Minha felicidade foi enorme ao saber que teria livro novo do Khaled vindo nesse ano. Foi com O Caçador de Pipas que criei o gosto pela leitura, então o autor tem um lugar especial no meu coração, até porque suas histórias são incríveis. Khaled tem uma narrativa peculiar e abordagens profundas e marcantes em histórias que se passam no Afeganistão, conseguindo muito bem transmitir uma realidade tão diferente da nossa ocidental.

Em O Silêncio das Montanhas o autor atravessa seis décadas e quatro países para contar a história dos irmãos que foram separados. O livro já começa com uma história de partir o coração, preparando muito bem o leitor para tudo que há de vir nas próximas páginas. A narrativa tem um ritmo louco, que vai e volta, mas que me pareceu muito surpreendente. Ao final da leitura foi como se eu tivesse lido vários livros, e olha que são só 348 páginas. Khaled desenvolve muito bem vários personagens ligados à trama principal, e traz tramas secundárias tão fortes quanto a principal. Cada personagem tem suas grandezas e fragilidades expostas. Que o leitor esteja preparado para viajar no tempo, desvendar aos poucos e descobrir novas ramificações.

É uma coisa engraçada, Markos, mas normalmente as pessoas veem a coisa ao contrário. Elas pensam que vivemos pelo que queremos. Mas o que as conduz é o que elas temem. O que elas não querem.

O título do livro, tanto o original quanto o da edição brasileira, tem forte relação com a história do início. Mas se as montanhas ecoaram (And the Mountains Echoed), então não houve exatamente um silêncio por parte delas, não é? Achei a capa brasileira um tanto sóbria demais. A tipografia lembra (se é que não é a mesma) a usada nos dois primeiros livros do autor publicados no Brasil pela Nova Fronteira. A ideia de misturar na capa fotografia de pessoas com pintura também não foi legal. As capas internacionais são muito mais fortes tanto por suas cores quanto por seus significados (joga "And the mountains echoed" no Google Imagens!). Encontrei alguns erros de revisão, mas nada drástico; e achei burrice da Globo Livros fechar parceria de exclusividade do e-book com a Livraria Cultura, privando os usuários do Kindle da Amazon.

Foi muito bom poder voltar a ler Khaled Hosseini, desfrutar de tamanha sensibilidade! O Silêncio das Montanhas é recheado de situações tristes e comoventes, histórias que ecoaram a partir do que se perdeu depois da viagem pelas montanhas, do último trajeto percorrido por Pari e Abdullah; ecos de perda, covardia, frustração, mas também ecos de coragem, dedicação e esperança.

Baba Ayub não entendia.
Assim como não entendia por que uma onda de alguma coisa,
como a parte final de um sonho triste,
sempre o envolvia quando ouvia o toque da sineta,
surpreendendo-o todas as vezes, como uma inesperada lufada de vento.
Mas depois passava, como passava todas as coisas. Passava.

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