6 de out de 2012

Resenha: Guerreiros da Esperança, de Andrea Hirata

Sinopse: A ilha de Belitung, na Indonésia, é riquíssima em recursos naturais, mas abriga contrastes sociais gritantes: de um lado, a grande empresa de extração de estanho, com suas modernas instalações e seus ricos executivos; de outro, o povo nativo, que vive numa miséria indescritível. É nesse cenário que a jovem professora Bu Mus e o diretor Pak Harfan tentam garantir a seus dez alunos o direito inalienável à educação. Eles têm que lutar contra as mais diversas dificuldades, como o estado decrépito do casebre em que as aulas acontecem, as constantes ameaças do superintendente escolar e as gigantescas escavadeiras, prontas para explorar o solo em seu terreno.

Guerreiros da Esperança
Autor: Andrea Hirata
Título original: Laskar Pelangi
Editora: Arqueiro
Avaliação: 3,5/5

E, como é de conhecimento geral, se o coração não sente inveja de alguém com conhecimento, pode ser iluminado pelos raios do esclarecimento.
Como a burrice, a inteligência é contagiosa.
Guerreiros da Esperança traz a realidade de onze crianças da ilha de Belitung, localizada na Indonésia. A história é contada por Ikal, que é narrador e personagem. O livro relata, basicamente, as aventuras e desventuras dessas crianças que estudam na SD Muhammadiyah, uma escola bem precária, e como a professora Bu Mus e o diretor Pak Harfan lutarão pelo direito delas.

A história já começa com uma dificuldade: são necessárias, no mínimo, dez crianças para que a  Muhammadiyah continue aberta. Com a chegada de Harun, a turma é completa, mas isso não garantirá que a escola funcione para sempre. Bu Mus e Pak Harfan precisarão ensinar a essas crianças a acreditarem em si mesmas e incitar nelas o desejo pelo conhecimento, mesmo que não seja tão fácil e agradável ir e estar na escola.

O livro tem poucos diálogos, e foca bastante no dia-a-dia das crianças, o desenvolvimento delas na escola e as amizades que se formam, além do contraste social da ilha. O autor (que é Andrea, mas é homem) tratou de falar bastante da geografia do lugar, o que não vejo como uma característica boa. Pareceu, muitas vezes, que a trama ficava em segundo plano porque o que ele queria era exaltar o lugar em que viveu. Veja bem, nada contra ele explanar isso, mas quando não soa de forma natural na história, chegando a ser uma descrição desnecessária, aí é um problema. Ainda assim, esse deve ter sido um dos motivos do livro ter sido tão bem sucedido na Indonésia e, consequentemente, chegar a outros lugares do mundo.

A capa da edição brasileira é do filme do livro, lançado em 2008 (veja o trailer no final do post). Eu prefiro a outra versão americana da capa (a primeira abaixo); acho que esta teria um apelo comercial melhor, apesar de a segunda se tratar de uma parte bem especial da trama. Guerreiros da Esperança é a primeira parte da série Laskar Pelangi. Os outros livros são: Sang Pemimpi (O sonhador), Edensor e Mayamah Karpov (não foram lançados no Brasil).

A experiência me ensinou algo importante sobre a pobreza:
ela é uma mercadoria.
Gostei do livro e achei que a leitura valeu a pena. Além da história ser bem bacana e semi-autobiográfica, mostra a realidade de um local que eu, particularmente, não conhecia. Já foi um acréscimo cultural, né?! O livro retrata uma realidade bem sofrida, mas quando fui procurar pela ilha no Google só vi imagens lindas. O lugar é um paraíso! Sugiro que veja o seguinte post para ver alguns dos cenários do livro, inclusive a escola na qual o autor estudou e inspirou o livro: Belitung Islands – A Hidden Paradise


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