26 de set de 2012

The Voice Brasil: primeiras impressões


Estreou no último domingo, dia 23, The Voice Brasil. O reality musical exibido pela Rede Globo é a versão brasileira do original da Holanda. O formato é sucesso pelo mundo e traz um bom diferencial, comparado aos já conhecidos Ídolos e The X Factor. Eu estava superempolgado para a estreia do programa, pois já o via como uma esperança de um reality musical mais sério, que desse mais resultado, sem aquela babaquice (e, por que não?, falta de respeito à música) do Ídolos.

The Voice Brasil traz Daniel, Claudia Leitte, Carlinhos Brown e Lulu Santos como técnicos. Não fiquei 100% satisfeito com a escolha. Eu dispensaria Claudia Leitte e Daniel. Queria muito ver Ivete Sangalo ou Sandy nas cadeiras, mas é claro que também temos outros grandes nomes da música brasileira que poderiam ocupar dignamente esses lugares. Ainda assim, creio que o carisma de Ivete traria outra atmosfera para o programa. Desejos irrealizados à parte, vamos comentar o que aconteceu e o que temos.

Os técnicos têm o dever de escolher os candidatos às cegas, só pela voz. Depois do "sim", as cadeiras viram e eles podem ver quem é a pessoa escolhida. O funil já começa por aí! Não basta cantar bem ou ter história de vida. A conquista é feita exclusivamente pela voz, que precisa dar conta do recado sozinha.

Vejam só: o índio Yuri participou cantando a música Sinônimos (conhecida na voz de Chitãozinho e Xororó). A voz era boa? Era. Ele tinha saído de uma aldeia mesmo! Olha que peso cultural! Mas os jurados não sabiam de nada disso. A voz não impressionou e ninguém apertou o botão. Depois da rejeição, Brown se disse arrependido e muita gente ficou decepcionada, dizendo que eles deveriam ter escolhido, que foi um erro. Mas não acho que tenha sido. Os telespectadores já sabiam quem o cara era, mas os técnicos não. Por isso, a apresentação dele, que não foi nada extraordinária, ganhou outro peso. Outra reclamação do público foi o fato de ainda haver elogios, mesmo quando eles não escolhiam a pessoa. Isso é aceitável, afinal não precisa ser ruim para não passar. Mas falta, sim, um pouco mais de sinceridade do tipo "Sua voz não foi boa o suficiente! Pronto, falei!".

Voltando para os técnicos... Daniel se mostrou bem omisso, participando pouco. Claudia Leitte pareceu agir por impulso, e tem o pior time até agora. Escolheu uma candidata que cantou uma versão mais calminha de Moves Like Jagger. A menina era toda sem sal, cara de adolescente que canta sem muita pretensão, grava e manda pro YouTube. A voz não impressionou ninguém, mas "CL" se mostrou toda empolgada com a música e apertou o botão. Acerto ou erro? Erro. Os técnicos são os grandes responsáveis por manter a qualidade no programa; tanto pela própria participação deles quanto pela escolha dos participantes. Lulu e Carlinhos têm os melhores times, e tiveram os melhores comentários e desenvoltura. E o apresentador Tiago Leifert? Vai precisar melhorar muito! Não é a Central da Copa, não! Pelo amor! Péssimo ele não foi, mas precisa mostrar mais carisma, empolgação e desenvoltura como apresentador. Não adianta achar que só porque a Globo te colocou lá as pessoas vão te engolir.

O nível dos participantes não estava sensacional, mas tivemos ótimas participações. Ellen Oléria, por exemplo, arrasou completamente cantando "Zumbi"! Minha torcida já é por ela e pela Liah. Esta talvez você não conhecia, mas já pode ter cantado uma música da moça, que é uma das compositoras de "Desperdiçou", sucesso de Sandy e Junior. Também ouvia Perdas e Ganhos e Tarde Demais da Liah na adolescência! Cata no YouTube que é um pop muito bom! Liah é um ponto forte no time do Daniel. Também teve o Dr. Gustavo, que foi bem cantando "Viva La Vida", e, se depender da empolgação feminina, pode até ganhar esse negócio! Teve a gringa Alma cantando Adele e fazendo CL chorar (ai meu Deus...). Mas não perdoo errar o refrão da música!

Espero que o programa só melhore, tanto por parte do nível dos candidatos, participação e escolha dos técnicos e apresentação do Tiago. A estreia até que foi de acordo com minhas expectativas. E, vamos combinar, se um reality musical não der certo na Globo não vai dar em outra emissora. Eles têm um poder grande de alavancar a carreira do vencedor ou vencedora; basta saber promover do jeito certo após o fim do programa. Torço pra que o público abrace o The Voice Brasil, assim como o público americano abraça os realities musicais por lá, e que também opinem para a melhora do programa. Não basta assistir, torcer, votar e depois esquecer o vencedor. Que o The Voice revele novos talentos de verdade, que somem na música nacional.

Ps.: Ô, Globo, vê se cria logo um canal oficial do programa no YouTube, ou para de deletar os vídeos dos programas nos sites! Obrigar todo mundo a assistir os vídeos no site oficial não rola... Não dá nem pra incorporar os vídeos de lá. #ficaadica

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