5 de set de 2012

Por que o Ídolos não passa de um péssimo programa de humor

Supla - Ídolos

Primeiro quero deixar claro que não tenho nada contra a reprodução de formatos. Bons programas devem ser importados, desde que consigam manter a qualidade original. Mas manter qualidade tem sido algo difícil para a produção televisiva do Brasil há muito tempo.

Ontem começou mais uma temporada do Ídolos, versão brasileira do britânico "Pop Idol", formato mais conhecido pela extremamente bem sucedida versão americana, "American Idol". O Ídolos chegou ao Brasil em 2006, no SBT. Lá o programa teve duas edições. A ganhadora da segunda, Thaeme Mariôto, está até aparecendo bastante na TV ultimamente. Parece que a moça cedeu à moda da indústria, formando uma dupla de sertanejo universitário. Ai, ai... O programa continuou em 2008, dessa vez na Rede Record, na qual vem sendo exibido até hoje.

O "American Idol" revelou grandes vozes e sucessos incontestáveis no cenário da música americana e mundial. Os vencedores mais conhecidos, no caso vencedoras, são Kelly Clarkson e Carrie Underwood, que hoje desfrutam de carreiras sólidas. Não é o que acontece por aqui. Você se lembra o nome do vencedor da última edição do Ídolos? E da penúltima? Pois é... Por que será que os supostos novos "ídolos" brasileiros não vingam?

A edição de 2010 (7ª temporada brasileira, e 5ª na Record) troca Rodrigo Faro por Marcos Mion como apresentador. O Rodrigo não era lá grande coisa, mas parece que o Mion traz a atmosfera de fracasso, decadência e falta de graça do Legendários. Mas antes fosse esse o grande problema do programa! Essa nova temporada traz nada mais nada menos que Supla (quem?) como jurado. Um júri, segundo o dicionário, é a comissão encarregada de julgar o mérito de alguém ou de alguma coisa. Uau! Que responsabilidade, hein? Mas quem diabos é Supla para julgar o mérito de alguém quando se trata da formação de um "ídolo", alguém que cante bem e provavelmente terá sucesso no mundo da música? Quais são as competências desse rapaz, cujo maior feito deve ter sido participar da Casa dos Artistas (se você não tiver a mínima ideia do que seja isso, considere-se uma pessoa de sorte)?

Como se não bastasse, a emissora do bispo ainda estreia o Ídolos Kids. Ah, claro! Tudo que o país precisa é de um ídolo mirim! SRSLY?? Mas a falta de noção não para por aí!!! Quem compensa Supla no júri da versão infantil, que promete ser tão boba e ineficaz quanto a adulta, é Kelly Key (que desistiu da carreira de cantora! \o/) e João Gordo, acompanhados de Afonso quem? Nigro. OH NO! Precisa mesmo de comentários? Resta saber se um dos três exercerá o papel ridículo do Marco Camargo, e ironizará e humilhará as crianças da competição.

Se você sonha em ser um cantor ou uma cantora bem sucedida, é melhor jogar um vídeo no YouTube que dá mais futuro. Fuja da maldição do Ídolos. Tente o The Voice Brasil! Este sim promete levar música a sério e trazer um novo talento para o cenário musical brasileiro. Além do formato ser mais interessante (julgar apenas pela voz), o programa será exibido na Globo. Pensem comigo. A Globo nunca irá querer um vencedor do Ídolos em seus programas. Mas é claro que todas as outras emissoras se renderão caso o vencedor do The Voice Brasil faça sucesso. Além do Ídolos ser ruim, ainda sofre boicote da "grandona"! Bem feito.

O Ídolos não passa de um péssimo programa de humor porque não leva a música a sério. Pelo contrário, só contribui para a banalização da mesma. Isso é tão verdade que ele é mais conhecido pelos candidatos ruins do que pelos bons. O programa passa mais tempo exibindo performances bizarras e humilhações gratuitas desnecessárias do que, de fato, aqueles que se saíram bem e podem ser o possível ganhador, a quem eles darão o título de "ídolo". A única marca que o showzinho deixa são vídeos "engraçados" no YouTube. É autossabotagem, piada de si mesmo e tentativa frustrada de qualquer coisa.

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