27 de jun de 2012

Resenha: O Garoto no Convés, de John Boyne

O Garoto no Convés (Mutiny on the Bounty) - John Boyne
Sinopse: Aos catorze anos de idade, o órfão John Jacob Turnstile perambula pelas ruas de Portsmouth, no sul da Inglaterra, cometendo pequenos furtos. Dois dias antes do Natal de 1787, porém, o que tem início como apenas mais uma delinquência resulta numa série de acontecimentos que mudarão sua vida para sempre. Para escapar da prisão, embarca às pressas num navio da marinha inglesa na função de criado do capitão. Seu plano é fugir na primeira oportunidade, mas o que o aguarda é uma aventura de proporções épicas, na qual não faltarão conflitos entre os membros da tripulação, tempestades, portos exóticos, ilhas paradisíacas e um motim que acabaria por se tornar o mais famoso na história naval.

O Garoto no Convés
Autor: John Boyne
Título original: Mutiny On The Bounty
Editora: Companhia das Letras
Avaliação: 5/5


Antes de tudo, preciso dizer que a Companhia das Letras acertou em cheio ao mudar título e capa do livro original. Temos no Brasil, de longe, a melhor capa! Esta pode parecer simplesmente "marketeira", mas não precisa sequer chegar na metade do livro para saber que "O Garoto no Convés" é um título muito mais apropriado, atrativo e misterioso. Ainda assim, o marketing também é válido. As listras não indicam nenhum pijama; dessa vez se sobrepõem à cordas. Não é necessário ver o nome do John Boyne para deduzir que o livro é do mesmo autor de "O Menino do Pijama Listrado." Fica fácil para o leitor que leu e gostou deste último não hesitar em levar seu "irmão" pra casa, e esperar repetir a dose de boa leitura. E repetirá.

O Garoto no Convés é bem maior que O Menino do Pijama Listrado, mas traz a mesma essência: um acontecimento histórico sob a perspectiva de um garoto inocente. John Jacob Turnstile, o nosso protagonista e narrador de catorze anos, está empenhado num de seus ofícios, que é realizar pequenos furtos pelas ruas da sua cidade. Ele é órfão e vive na casa do senhor Lewis, homem que não traz boas recordações ao garoto. Turnstile logo avista um relógio saindo do bolso de um fidalgo que estava na livraria, mas é surpreendido quando o homem puxa conversa com ele. O garoto mal podia imaginar que esse encontro mudaria o rumo da sua vida completamente.

Os ricos sempre consideram ignorantes os garotos como eu, mas às vezes demonstram ignorância igual ou maior, se bem que de outro tipo.

Turnstile pensou que tinha sido descoberto em sua tentativa de roubo, mas o fidalgo parece querer ter uma conversa amigável com o menino. Ainda assim, isso não impede que John Jacob surripie o relógio de sua vítima, e depois seja surpreendido por um policial o acusando. Uma verdadeira confusão é gerada na rua, várias pessoas confirmam que ele é mesmo um ladrãozinho, o que não favorece sua situação. Muito se desenrola até que, para se livrar da prisão, Turnstile aceita a proposta de ir numa viagem de barco como criado do capitão William Bligh. Mas não é tão simples assim. Muita coisa ainda acontece desde o furto até o surgimento dessa alternativa de pena.

Ninguém consegue enfrentar a vida sem que a sorte lhe sorria um pouco de vez em quando (...).

Sem saber o que lhe espera, John Jacob ingressa no Bounty. Se você, como eu, nunca tinha ouvido falar desse navio e de sua missão, pule para o próximo parágrafo, porque você descobrirá no que Turnstile se meteu junto com ele, e a leitura será ainda mais legal! Mas se você já conhece a história, sabe que o Bounty tinha como missão levar mudas de fruta-pão de Otaheite (Taiti) para as colônias inglesas nas Índias Orientais (especificamente na Jamaica). E o que parecia ser a missão mais organizada da História acaba num motim. 

O criado acaba criando um ótima relação com o capitão Bligh e aprendendo muita coisa sobre a vida no mar. O Garoto no Convés traz uma perspectiva inocente, curiosa e engraçada de Turnstile. Mas o garoto não é tão inocente assim. Ele foi bastante maltratado pelas circunstâncias da vida em Portsmouth, circunstâncias que várias vezes assombram sua mente durante a viagem e o fazem desejar nunca mais voltar pra casa.

Eu fiz uma careta, mas tentei não manifestar meu desprezo por aquelas palavras; ele parecia ignorar o quanto me insultava. Mas logo me dei conta de que um homem da classe dele não chegava sequer a imaginar que era possível insultar um membro da minha.

Demorei bastante para terminar de lê-lo. Não porque a narrativa seja muito lenta, mas porque não tive pressa (um pouquinho de falta de disciplina também contou). John Boyne consegue de forma divertida e incansável entreter os leitores, e ainda deixá-los curiosos para saberem mais sobre os fatos históricos que deram base para seus romances. O Garoto no Convés se mostra uma aventura divertida e prazerosa de ser lida. Não descarte esta leitura por não gostar de História. O livro não é documentativo. Ele traz a história do HSM Bounty como se você estivesse vivendo o momento. Foi um tempo de leitura muito enriquecedor. Nunca pensei que acompanhar as aventuras de um garoto de catorze anos num navio seria tão bacana.

Ah! O motim do Bounty foi tema de vários filmes. Há produções de 1935 (O Grande Motim), 1962 (O Grande Motim) e a mais recente de 1984 (Rebelião em Alto Mar). Já marquei os três como "quero ver" no Filmow, mas é uma pena que nenhuma traga o personagem fictício de John Boyne.

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