9 de jun de 2012

Análise: Regina Spektor - What We Saw From The Cheap Seats

Regina Spektor - What We Saw From the Cheap Seats

Após quase três anos desde o lançamento do seu último álbum de inéditas, o "Far" (maravilhoso, por sinal), Regina Spektor (cantora, compositora e pianista) está de volta com What We Saw From The Cheap Seats. Desde já, aviso que não tenho conhecimento técnico suficiente para avaliar esse álbum, mas não imagino outra nota para ele que não seja dez, sem dúvidas. Eu conheci a cantora em 2008 naquela novela do "beijinho doce que ele tem". Sim! Você deve se lembrar de Fidelity na trilha sonora de A Favorita. E que descoberta!

O estilo musical de Regininha (sim, sou íntimo, com licença) é tão difícil de ser definido que, na maioria das classificações, você irá encontrar a palavra "alternativo"; mas todos sabem que "alternativo" não define gênero musical nenhum, por ser um termo bem relativo. Mas pouco importa a definição do gênero de sua música, o que importa é que é música boa, muito boa. What We Saw From The Cheap Seats estreou em 3º lugar na Billboard. Vamos aos comentários faixa-a-faixa do álbum, que é recheado de qualidade lírica, vocal e instrumental (e ainda tem um projeto gráfico todo lindo!).

Regina Spektor - What We Saw From the Cheap Seats

Small Town Moon prepara muito bem o ouvinte para o resto do álbum. Ela começa de forma simples e suave, apenas com o piano, chegando a momentos até dançantes com uma bateria mais presente.

Oh Marcello é uma das minhas favoritas. Traz uma letra intrigante e até assustadora. O refrão é o mesmo da música "Don't Let Me Be Misunderstood" de Nina Simone (usado com permissão), mas numa outra melodia. Regina canta de forma divertida, e com sotaque italiano forçado em algumas partes (♥)! O efeito no piano dá um ar sombrio, ao mesmo tempo em que Regina brinca com a voz dando um tom lúdico. "Oh Marcello, como eu me pergunto! A madona, ela diz a verdade, não é? Ela tem dito que eu terei um bebê, e quando ele crescer irá se tornar um assassino."

Don't Leave Me (Ne Me Quitte Pas) já foi gravada por Regina no álbum Songs, de 2002. Diferente da versão de dez anos atrás (que era só voz e piano), essa traz muito mais produção e camadas, num tom ainda mais divertido com a adição dos metais. É o segundo single e a mais pop das onze faixas.

Firewood é uma das mais melancólicas. Traz voz e piano e, em algumas partes, uma bateria de leve. É linda e suave. Termina com "Ame o que você tem, e você terá mais amor. Você não está morrendo. Todos sabem que você irá amar, apesar de ainda não haver cura para o choro." É seguida de Patron Saint, de melodia gostosa e poesia pouco decifrável.

How é introduzida com um som de violino. É lentinha e mais limpa, com Regina em altas notas no refrão. A letra é romântica, de quem não conseguiu superar o fim de um relacionamento. "Como eu posso esquecer seu amor? Como eu posso nunca mais te ver outra vez? (...) O tempo pode vir e lavar a dor, mas eu quero que as memórias permaneçam."

Rowboat paiting

All The Rowboats quebra o clima das últimas três faixas, com uma introdução eletrônica sensacional. Foi o primeiro single do álbum, e já tem clipe (assista abaixo). A poesia de Regina é tão grande e intensa, que não garanto 100% que essa música seja sobre o que parece ser (e não achei nenhum vídeo ou texto com Regina abrindo o jogo). Mas o que parece? Parece que fala sobre as artes sendo desperdiçadas em museus e galerias. "Todos os barcos a remos nas pinturas, eles continuam tentanto remar para longe. (...) Eles continuarão pendurados em suas molduras douradas para sempre. (...) Mas os mais especiais são os mais solitários. Deus, eu sinto pena dos violinos! Em caixões de vidros, eles continuam tossindo. Eles esqueceram como cantar." Numa parte, que Regina canta com uma voz bem maléfica (♥), ela diz: "Aqui está seu ingresso, bem-vindo às tumbas!"


Ballad of a Politician é uma canção de letra e melodia sensacionais sobre a corrupção política. É lenta e traz uma atmosfera de segredo, de algo escondido. Um resultado perfeito para uma música que trata exatamente de algo que é feito às escondidas. "Mas eu não sou um número, nem um nome. Eu sou um plano cuidadosamente definido. (...) Um homem dentro de uma sala está apertando a mão de outro homem. É assim que acontece nosso mundo sob comando."

Open começa a preparar o álbum para um fim mais calmo, mas ainda mantém resquícios sombrios. Traz a voz de Regina mais suave como em Firewood. The Party, é equilibradamente leve e divertida. Tem letra relativamente doce e Regina imitando som de trompete com a voz. "Você é como uma festa que alguém me jogou. (...) Você é como uma grande parada pela cidade. Você deixa uma bagunça, mas é tão divertido. (...) Posso propor um pequeno brinde? A todos aqueles que mais ferem, a todos os amigos que perdemos. Vamos dar a eles mais uma rodada de aplausos."

Jessica finaliza o álbum sem piano. Em vez disso traz um violão sóbrio. É curta e simples. "Jessica, acorde. É fevereiro de novo, temos que envelhecer, então acorde. Eu posso escrever uma canção pra você. Eu estou sem melodias. Eu posso escrever uma canção pra você."

A versão deluxe traz três faixas bônus. A primeira é Call Them Brothers (feat. Only Son), que é linda e já foi gravada no álbum de 2011 de Jack Dishel (Only Son). As outras duas são covers em russo: The Prayer of Francois Villon (Moltiva) e Old Jacket (Stariy Pedjak).

O álbum tem opiniões divididas entre os fãs. Muitos sentem falta da Spektor dos primeiros trabalhos, que tinham uma produção mais simples e crua. Eu acho que o trabalho dela continua incrível, e que ela sabe usar muito bem os recursos modernos para incrementar sua música, num experimentalismo delicioso que, talvez, ela não conseguisse realizar somente com voz e piano. What We Saw From The Cheap Seats mostra, como ela mesmo diz, que há muito a ser visto dos assentos baratos.

Nota: 10
Destaque para as faixas: Oh Marcello, Don't Leave Me (Ne Me Quitte Pas), How, All The Rowboats e Ballad of a Politician.

Nenhum comentário:

Postar um comentário