13 de mar de 2012

Resenha: O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne

O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas) - John Boyne
 Sinopse: Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.

O Menino do Pijama Listrado
Autor: John Boyne
Título original: The Boy in the Striped Pyjamas: a Fable
Editora: Cia. das Letras
Avaliação: 5/5




O Menino do Pijama Listrado é um livro que sempre quis ler depois ter assistido à adaptação cinematográfica, que leva o mesmo título. O filme é muito bom, e não foi surpresa para mim que o livro fosse maravilhoso também.

A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, no auge do Holocausto, fruto do regime nazista. O protagonista é Bruno, um garoto de apenas nove anos que mora em Berlim, Alemanha, numa casa maravilhosa com seus pais e sua irmã.

Tudo muda quando o "Fúria" visita a casa da família para um jantar... Após seu pai, que é soldado, receber uma "missão", a família e alguns empregados se mudam para outra casa muito menos luxuosa, próximo a um campo de concentração nazista. Mas Bruno não está nada satisfeito em ter se mudado para "Haja-Vista", um lugar longe dos seus três melhores amigos e com nenhuma criança com quem ele possa brincar.

"Haja-Vista" é, na verdade, Auschwitz, na Polônia; e o "Fúria" é Hitler, "Der Führer"; palavras que Bruno não consegue pronunciar corretamente. No original em inglês foi usado "Out-With" para "Haja-Vista", e "The Fury" para "o Fúria".
   Ela desviou o olhar dele por alguns instantes silenciosos e balançou a cabeça, entristecida, antes de encará-lo novamente. "Seu pai sabe o que é melhor para nós", ela disse. "Você precisa confiar nele."
   "Não tenho tanta certeza disso", disse Bruno. "Acho que ele cometeu um terrível engano."
   "Então é um engano com o qual teremos que conviver."
   "Mesmo assim, é melhor não dizer isso em voz alta", disse Maria rapidamente, caminhando na direção dele com cara de quem queria lhe meter algum juízo na cabeça. "Prometa-me que não dirá."
   "Mas por quê?", perguntou ele, franzindo o cenho. "Estou apenas dizendo o que sinto, eu sou livre para fazer isso, não?"
   "Não", disse ela, "Não é, não."
Da janela do seu novo quarto, Bruno vê, de longe, o local de concentração de judeus após o limite do terreno de sua nova casa. Curioso, o menino se pergunta o que aqueles adultos e crianças de "pijamas" listrados fazem ali, e por que os soldados parecem estar gritando com eles.

Sua irmã Gretel é quatro anos mais velha que Bruno, e segundo ele é um "caso perdido". Quando os dois estão juntos sempre há implicância! Cansado de todo o tédio, Bruno decide explorar, até que chega no limite do terreno da casa, na cerca do campo de concentração, e encontra alguém sentado do outro lado.

Esse algúem é Shmuel, que também tem nove anos, mas é um menino de aparência nada saudável ou feliz. À primeira vista, Bruno acha que Shmuel tem sorte por ter tantas outras crianças do seu lado da cerca com quem ele pode brincar. Depois do primeiro encontro, Bruno volta para o limite da cerca várias vezes, onde conversa com seu novo amigo e chega até a levar comida para ele. A história prossegue com os encontros dos dois meninos e com todo questionamento e falta de compreensão de Bruno até um final desolador.
   "Não dói tanto assim", disse Pavel numa voz gentil e delicada. "Não torne as coisas piores, pensando que dói mais do que você realmente está sentindo."
    De alguma maneira isso fez sentido para Bruno e ele resistiu ao ímpeto de dizer "Ai" de novo.
   "Judeus", disse Bruno, testando a nova palavra. Ele bem que gostou do som. "Judeus", repetiu ele. "Aquelas pessoas todas do outro lado da cerca... são judeus."
   "Sim, é isso mesmo", disse Gretel.
   "E nós, somos judeus?"
   Gretel abriu a boca espantada, como se tivesse recebido um tapa no rosto. "Não, Bruno", disse ela. "Nós absolutamente não somos judeus. E você não devia sequer dizer uma coisa dessas."
   "Mas por que não? O que nós somos, então?
   "Nós somos...", começou Gretel, mas então teve que parar e pensar a respeito. "Somos...", repetiu, ainda sem saber qual era a resposta para essa pergunta. "Bem, não somos judeus", disse ela afinal.
   "Já sei que não somos", disse Bruno, frustrado. "Estou perguntando: já que não somos judeus o que nós somos então?"
   "Somos o contrário", disse Gretel, respondendo rapidamente e parecendo mais satisfeita com essa resposta. "Sim, é isso. Nós somos o contrário."
O livro é curto e muito bem escrito. É um dom a forma como John Boyne consegue mesclar ficção com fatos reais da História. Apesar de tratar de algo tão triste, foi divertido me aventurar com Bruno e sua personalidade tão forte.

O Menino do Pijama Listrado é a história de um menino inocente em meio a uma das maiores, senão a maior, atrocidades já ocorridas na História; a história de como algo tão desumano não cabia dentro da mente tão pura. Vale muito a pena ler e assistir ao filme, que tem uma produção e atuações muito boas! Assista ao trailer e não esqueça de deixar seu comentário! ;)



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