11 de mar de 2011

Análise: Avril Lavigne - Goodbye Lullaby


Depois de quase quatro anos após o lançamento do inusitado The Best Damn Thing, Avril Lavigne está de volta com Goodbye Lullaby. O álbum não tem a essência e grandiosidade de Let Go e Under My Skin, mas também não se encaixa em toda a brincadeira de The Best Damn Thing. O primeiro single, What The Hell, foi lançado dia 1 de janeiro, mas a música definitivamente não define o álbum. A própria Avril já tinha dito que essa era a música mais animada do CD, que, na versão simples, possui 14 faixas incluindo uma versão estendida de Alice.

O resultado me agradou bastante, porque, apesar de ter gostado da sonoridade da "nova Avril", tenho em mente de que seus dois primeiros trabalhos são muito melhores tanto em música quanto em letra. E o Goodbye Lullaby traz um pouquinho do estilo da "antiga Avril", ou melhor, da sonoridade dela, já que as letras não lembram muito as melancólicas e revoltadas do início da sua carreira. Então vamos à análise faixa por faixa pela ordem do CD:

Black Star é uma canção curta de introdução. A música tem uma melodia bonita e calma ao som do piano, mas a calmaria logo passa com a faixa seguinte.

What The Hell é o primeiro single do álbum. A música não segue mesmo o ritmo do CD e poderia ser trocada com alguma faixa do anterior, como When You're Gone e Innocence. Relembra a brincadeira pop de The Best Damn Thing, e tem letra nada profunda e inteligente.

Push está entre as melhores e traz de volta um pouco da sonoridade da "antiga Avril". Tem um refrão pegajoso, e fala sobre se entregar ao amor.

Wish You Were Here pode ser considerada a melhor. Tem uma melodia muito boa e fala simplesmente sobre saudades e lembranças. "Droga, droga, droga, o que eu faço pra ter você aqui? Eu queria que você estivesse aqui. Droga, droga, droga, o que eu faço pra ter você perto?"

Smile me intriga. Tem uma melodia divertida, mas letra desnecessária. Avril começa cantando "você sabe que eu sou uma vadia louca, eu faço o que eu quero quando eu tenho vontade, tudo o que eu quero é perder o controle". Isso tudo pra dizer no refrão que "você é a razão por que eu sorrio". Simplesmente não dá. Me irrita o uso desnecessário de palavrões. É tão pobre quanto What The Hell, mas entretem.

Stop Standing There é mediana, mas tem uma batida bacana (até rimou). A voz da Avril parece estranha no começo da música, aliás, desde o álbum anterior, a voz da cantora está bem mais fina e aguda do que antes. Tem uma letra mais elaborada. Nas palavras da própria Avril: "Essa música é uma música que eu acho que as garotas podem se identificar. É tipo que sobre aquele garoto que simplesmente está parado ali sem fazer nada, e meio que 'Helloooo?! Você sente o que eu sinto? Faça alguma coisa!'"

I Love You e Everybody Hurts também estão entre as melhores. A primeira tem melodia muito bonita e suave, acompanhada por uma batida agradável. É uma declaração de amor não muito profunda. "Você é tão bonito, mas esse não é o motivo de eu te amar. Eu não tenho certeza, você sabe, que a razão de eu te amar é você, simplesmente você, sendo você. A razão de eu te amar é você e tudo o que nós passamos." A segunda é um pouco mais ritmada, mas encaixa muito bem seguindo I Love You. "Todo mundo se machuca alguns dias, não há problema em sentir medo. Todo mundo sofre, todo mundo grita. Todo mundo se sente assim, e está tudo bem."

Not Enough e 4 Real, assim como Stop Standing There, têm letras mais elaboradas, mas não se destacam. Darlin foi composta pela Avril quando ela tinha 15 anos e vivia com seus pais. Ela diz que a canção fala sobre coisas que ela via quando era uma garotinha (nem tão garotinha assim, não é, Avril?). Tem uma letra bem abstrata.

Em Remember When Avril canta as lembranças de um relacionamento. "Lembra quando eu chorei por você mil vezes, contei-lhe tudo... Você conhece meus sentimentos. Nunca passou pela minha cabeça que chegaria a hora de nós dizermos adeus." É lenta e prepara para a próxima faixa.

Goodbye é a faixa tema do álbum. No álbum em que Avril se despede das canções de ninar, ela canta "adeus" justamente ao som de uma. "Foi muito difícil gravar essa faixa. É realmente complicado gravar algo quando se está prestes a chorar. É a música mais sentimental que já escrevi. Não só escrevi, mas também produzi sozinha, então estou realmente próxima a ela."[¹] Fica difícil analisá-la quanto à letra sem saber da história por trás.

O álbum é finalizado com Alice (Extended Version). Na verdade, no álbum físico é uma hidden track (faixa escondida). Essa versão tem uma estrofe inédita e um pouco mais de 1 minuto a mais que a primeira versão, que faz parte da trilha sonora do filme Alice no País das Maravilhas. É uma música que eu gosto. Melodia um pouco sombria e letra estimulante.

Se formos comparar este trabalho com o seu anterior, nota-se um amadurecimento. Mas analisando todos seus CDs, é claro que a Avril de Let Go e Under My Skin é muito mais confiante, forte, madura e original. Afinal quem diria que a menina "desleixada" que cantava que queria ser "tudo menos comum" (Anything But Ordinary), cantaria algum dia uma canção como "Girlfriend"?

Goodbye Lullaby, apesar de ter sim uma qualidade sonora, tem músicas com letras superficiais. A própria Avril Lavigne parece superfial ao comentar as faixas do CD (veja o vídeo no YouTube), como se não houvesse muito a ser dito. Apesar de tudo, é um bom álbum.

Nota (de 0 a 10): 8,0
Destaque para as faixas: What The Hell, Push, Wish You Were Here, Smile, I Love You e Everybody Hurts.